Eu acredito em Deus. Eu acredito no destino.
Com base na minha crença, digo que Deus gosta de futebol.
Nele, Ele conta história memoráveis, emocionantes.
Em 1966, a Inglaterra ganhou a Copa contra a Alemanha com um gol que a bola não entrou. Em 2010, a Inglaterra marcou aquele que seria o gol de empate contra a mesma Alemanha e, ai, o juíz não validou.
E aquele Uruguai x Gana, em que Luis Suarez “defendeu” a bola e Gyan perdeu o pênalti no último lance da prorrogação. Nos pênaltis, deu celeste!
Jogos que renderiam bons filmes existem vários. Você mesmo deve se lembrar de um agora.
Eu só acho que o melhor filme que pode ser feito teve seu enredo finalizado hoje, domingo.
Em 1993, a seleção de Zâmbia viajava para o Senegal para disputar mais uma partida das Eliminatórias para a Copa do Mundo do ano seguinte.
Zâmbia estava perto de, pela primeira vez, disputar uma Copa do Mundo.
Não tinha um time que enchia os olhos, mas que possuia a crença de seu povo e que apresentava resultados que, sim, credenciava o time à vaga.
Só que o sonho nunca virou realidade. Ele tornou-se um grande pesadelo.
A delegação de 30 pessoas – sendo 18 jogadores – morreu em um desastre aéreo. O avião apresentou problemas em Libreville, cidade do Gabão.
Zâmbia não retornou ao rumo naquelas eliminatórias.
Quis o destino que a seleção daquele país voltasse a Libreville 19 anos depois.
Numa condição diferente, em estado de graça.
Quis o destino que Zâmbia voltasse a Libreville na final da Copa Africana de Nações, contra a badalada Costa do Marfim, repleto de jogadores atuando no futebol europeu.
Naquele que poderia ser o duelo de Davi contra Golias, já que os zambianos não tem nenhum jogador em clube grande da Europa, foi um embate parelho.
Zâmbia foi melhor até os 25 minutos do segundo tempo, na verdade. Só que as coisas viraram para a Costa do Marfim após pênalti em Gervinho.
Drogba, o capitão, a estrela, pediu para cobrar.
Quis o destino que o astro perdesse o pênalti, chutasse longe.
Quis o destino que o astro do jogo, a partir de então, fosse Kennedy Nweene, goleiro de Zâmbia, que atua no modesto futebol da África do Sul.
Com uma atuação precisa e segura, levou o jogo para a cobrança de pênaltis.
Quis o destino que a última cobrança antes das batidas alternadas sobrasse para Nweene.
Cobrou com tanta calma que eu estava mais nervoso do que ele naquela situação.
Quis o destino ele defendesse o pênalti de Kolo Toure, do Manchester City, logo em seguida, mas a disputa continuou após Zâmbia perder a outra cobrança.
Quis o destino que Gervinho, do Arsenal, isolasse a sua penalidade.
A decisão ficou para Sunzu, do agora conhecido Mazembe.
Quis o destino que ele escorregasse, mas que a bola entrasse e Zâmbia pudesse comemorar.
Comemorar em um lugar em que um dia foi palco de sua maior tristeza no esporte.
Quis o destino que fosse em Libreville, diante dos gigantes “europeus”, a redenção do futebol zambiano.
Acho muito simples acreditar em apenas coincidência.
Com tantas cidades, países e CANs por ai, tinha de ser justamente em Libreville?
Passaram por Senegal, Guiné Equatorial – um dos países sedes -, Gana e Costa do Marfim. Tiveram, em algumas situações, prontos para deixar a competição.
Mas quis o destino que os zambianos voltasse a Libreville.
E não acho que foi uma simples coincidência.
